domingo, 5 de julho de 2009

Senhorios

Adivinha: Sou Grande, mando nisto tudo, grávido de rei na barriga. Quem sou?
-Mãe do Elvis?
-Um dinossauro?
-Um avião?
-O Super-Homem hermafrodita? (Oi?)
Um senhorio! Básica esta...
Fazem o que querem, incluindo o impensável. "Ai sabem, preocupo-me com vocês como se fossem minhas filhas"... deixe lá cara senhora, tenho pais com saudinha. Bolas...
Senhores de uma lata sem limites e de uma imaginação oportunista bruta, sei perfeitamente que não quero ser isto quando for grande.

Melhor, o meu Herói citadino seria claramente o Daredevil mata senhorios, defensor dos pobres e oprimidos inquilinos que mais não têm que uma chave do quarto para se protegerem dos abomináveis, otários senhorios. Esses e os mostra-casas. Pra estes últimos nada é menos que um palácio, com todas as condições e recibos. Claro que já vamos aos "ses". Por mim morriam todos, uns ao pé dos outros pra não ocupar espacinho. Entram, sujam, ocupam a casa, não batem a porta... - "Isto é meu!", então porque pagamos? É um favor que nos fazem, o de ocuparmos um quartinho de sua casa.
Digo e repito, metê-los em filinha na linha do comboio era pouco. No outro dia ouvi que uma senhora entraria (sabe-se lá quantas vezes à semana) para ver se "estava tudo bem com as torneiras" ao que prontamente respondemos: "Minha senhora, é preciso ser perito para saber se a torneira está em condições?" Juro que não me pisam os calos, então chegamos a meio da conversa e, de segunda vez recorrente (pausa) -"Passa-se algo? O que acha?" Não vou dizer o que acho senhora caso contrário correr-me-ia de sua casa na hora. Não sou amigável, de todo. Não compreendo a conversa simpática e as desculpas mirabolantes destes Fofinhos para controlar a minha vida. E a história repete-se e repetir-se-á até ao final e a minha cara de instinto e recalque já não se esconde. Picada uma vez, picada toda a vida. Não tolero merdosos quando pago bem ao mês. Tenho direitos e já há muito que não os vejo.
-A casa é sua? Pensasse nisso antes de alugar.
-Vem visitar-nos pra ver se está tudo bem e conversar? Não tenho tempo pra conversa de chacha querida senhora, a única coisa que tenho a dizer à actual senhoria é que vai morrer nova dado não saber da existência de uma coisa chamada COLESTEROL. Tadinha, não tenho muita pena. Podia alertá-la mas não, iria logo dizer que não se consegue falar comigo.
Não compreendo esta conversa de conveniência se é totalmente inconveniente para mim. Não vou sorrir e dizer que o dia está bonito quando a única razão porque está a sorrir e a conversar comigo é pra poder ver se limpo a cozinha. Pretextos... desculpe, tenho dificuldades em ser cínica. Quer que a corra à vassourada ou a acuse de roubo pra ter a noção que está a ser inconveniente e que nada neste episódio é legal? Nem tenho paciência para si muito menos compreendo as suas necessidades de confirmar que o microondas ou a máquina de lavar não desapareceram! Sim que um dia, se virem alguém no metro com uma máquina de lavar debaixo do braço sou eu, aliás faço colecção destes bichos lá em casa... não digam a ninguém.

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